É, não podemos negar, é sim uma palavra bonita, mágoa. Sabe as lágrimas silenciosas, as noites de insónia, as manhãs de Domingo solitárias e sem sentido. Está para lá da tristeza, da saudade, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande. Primeiro gritamos, esperneamos, soluçamos em choros inexplicáveis, lágrimas derramadas por dores que não existem, mais que formamos dentro de nós mesmo sem nem saber de onde vem, porque dói, nem sabemos dizer se passará... Logo nos damos conta do que está a acontecer, vem então o "pós-guerra", a "rendição", a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida, e o réu, o que fizemos dela.Limpam-se os destroços. Enterram-se os "mortos", tratam-se dos "feridos", que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e fatal, instala-se sem nem nos darmos conta, aloja-se no coração. Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor. Pelo menos a mágoa maltrata, nos fere, e exatamente por nos ferir, nos mostra o quanto precisamos levantar e lutar, a mágoa nos machuca lentamente, mas faz-nos sentir vivos novamente.
(Anderson Rodriguês / Lëemon)









1 comentários:
Mágooa : tudo haver cmg !
amey ;z
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